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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Assim damos a volta a isto!




                                


Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração 'casinha dos pais',
se já tenho tudo, para quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração 'vou queixar-me para quê?'
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração 'eu já não posso mais!'
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.








Afinal, quem são os parvos? 

Chama-se "Que Parva que eu Sou", não se encontra em qualquer disco dos Deolinda e retrata a "geração sem remuneração", com passagens como "que mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar.

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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Os músicos não se reformam.

"Os músicos não se reformam. Param quando se esgota a música dentro deles."




Louis Armstrong



Esta é uma das coisas mais bonitas que já ouvi. Mas não são somente os músicos. Eu penso que tu e eu seremos felizes se, quando pararmos, tivermos esgotado todas as notas dentro da alma, tivermos composto todas as sinfonias, fados, rockadas, pimbalhadas e todo o tipo de música em cada cirscunstância das nossas vidas.


Acho que andamos todos no conservatório, a aprender a pôr cá para fora a música que dança dentro de nós, a dar-lhe expressão diária, até que um dia esprememos a última nota e terminamos realizados e felizes.


Consegues imaginar o peso que seria terminar com a alma cheia de canções de embalar não cantadas e estar a ouvir os choros das crianças, ou com o peito cheio de canções de amor e lamentar-se de não ter nem ser amado? Ou pior ainda, imaginas terminar com valsas felizes a voar dentro de ti, mas que nunca tiveram expressão enquanto ouves os lamentos do mundo que entristeceu?


Descobre as tuas sinfonias, escava fundo, limpa as orelhas, apura o ouvido e ouve a tua música. Depois dá-lhe expressão, todos os dias, todos os dias. Não termines um dia sem teres manifestado todas as notas desse dia, não acordes de manhã sem teres cantado todas as melodias dessa noite. Que nenhuma canção tua fique por cantar, nenhum talento sem expressão porque é esse o objectivo da tua vida: tocar o teu instrumento de forma sublime, como só tu podes tocar, e fazer desta orquestra que é o mundo um lugar afinado pelos anjos.


Talvez esteja na hora de ires buscar o(s) teu(s) velho(s) talento(s) e sonhos e trabalhares sobre eles, talvez tenha chegado a altura de perderes a (falsa) modéstia e saltares para a ribalta para interpretares a tua partitura como solista. Não se trata de ti nem do teu ego, mas de devolver ao mundo aquilo que não te pertence, só te foi emprestado para te fazer feliz.
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