quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Já falhei tantas vezes na minha vida


"Já falhei mais de 9.000 lançamentos na minha carreira. Já perdi quase 300 jogos. Em 26 jogos foi-me confiada a oportunidade de fazer o lançamento que daria a vitória e falhei. Já falhei e falhei e falhei tantas vezes na minha vida. E é por isso que.....eu venço".


Michael Jordan



domingo, 7 de novembro de 2010

Trabalhar sobre ti mesmo

"Conseguirás atingir seja o que for na tua vida se continuares todos os dias a trabalhar sobre ti mesmo."


Mark Hughes





Parece tão difícil de acreditar: como é que mudando a nós mesmos podemos mudar o que pensamos e, por isso, o que nos acontece, as circunstâncias e, literalmente mudar o mundo. Ainda não acreditas nisto? É porque ainda não experimentaste. Há tanta verdade nestas palavras que parece impossível que tão poucas pessoas acreditem nelas.


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

ESQUECEMO-NOS DE VIVER


Engolidos pelas preocupações do dia-a-dia, deixamos a vida escorrer por entre os dedos como a água fugidia. Quando damos conta, estamos a percorrer a recta final, um pouco atordoados, com a angústia instalada dentro de nós, esquecidos de ser felizes, ansiosos por ainda fazermos isto mais aquilo, embora sabendo, por experiência vivida, que os sonhos raramente se cumprem e os projectos se foram adiando sine die. Consumimos a maior percentagem da nossa existência a cumprir rotinas. Isso bastará para nos dar a felicidade que todos perseguimos? Ou, como seres inquietos que nascemos, ambicionamos sempre algo mais, algo diferente do que satisfaz os outros bichos?


Eis um problema existencial que sempre preocupou espíritos sensíveis. Quem é mais feliz? Quem preenche um ideal de vida mais verdadeiro? A gente simples e inculta do campo, que frui a sua existência em contacto com a natureza, sem interrogações, sem angústias, sem dúvidas, limitando-se a viver uma vida natural, acreditando na pureza dos seus actos e na força da fé, ou as pessoas que lêem, viajam, estudam, se interrogam, duvidam, se angustiam, sempre insatisfeitas, sempre em busca de respostas que não encontram, desesperadas?


Que vida tem mais sentido? A vida simples e natural ou a vida complexa de quem ousa questionar? O povo tem um ditado: “Não vá o sapateiro além da chinela.” Isto é, não estaremos a querer saber demais? Os românticos promoveram o mito do bom selvagem…

Na realidade, quem ousa dizer que tem a chave da felicidade? Como vivíamos quando começámos a erguer-nos nos pés? Não foi o homem que criou os deuses? Não foi o homem que inventou as filosofias? Não foi o homem que criou a moeda, a política, o poder, as guerras, as leis, as confusões? Não é o homem que se vai afastando cada vez mais da simplicidade e cria mais e mais barreiras à naturalidade? Não seremos apenas transitórios e insignificantes bichinhos terrenos, arrogantes inventores de mitos?

Será a pessoa humana, depois de experimentar os venenos da civilização, capaz de recuperar a capacidade de viver de modo simples?

Não serão mais felizes os que, depois de romperem as armaduras em combates vários, caiem na humildade, retornam à natureza-mãe e reaprendem o sabor do pão cozido a lenha, o encanto do cantar do pintassilgo, o rumorejar de um regato de água das serras, o prazer de contar histórias, de conviver, de engolir fungos e bactérias?

Às vezes, esquecemo-nos de que os outros também são natureza, e uma natureza especial. Será que, se aprendermos a viver em comunidade, a respeitarmo-nos, não encontraremos as chaves da alegria que procuramos algures, perdidamente? Não estará o segredo da vida aqui, ao nosso lado, nos outros, e em nós, no nosso coração?

Aprendermos a viver juntos não será um projecto autêntico e suficientemente ambicioso para merecer ser vivido em pleno?

Acabo de reler um soneto de Florbela Espanca onde a poetisa invoca, de certo modo, esta temática.

Onze versos descrevem o paraíso na terra centrado na figura de uma camponesa que vive a vida como o rouxinol, aproveitando o que Deus lhe deu, preenchendo os dias com as rotinas do rio que corre sempre para o mar. Aceita o que lhe acontece, agradece, vai em frente até descer à “terra da verdade”, com a consciência do dever cumprido, feliz. Nos outros três, a autora grita o seu pessimismo, a sua angústia, a sua insatisfação, atormentada por dúvidas, destruindo-se, sobretudo, pelos excessos de quem quis devorar a vida em vez de a saborear, acabando devorada!





sábado, 23 de outubro de 2010

A ordem da vida



Um professor de filosofia iniciou a aula em silêncio, colocando alguns objectos em cima da secretária à sua frente. Como não dizia nada, os alunos começaram a mexer-se nas cadeiras, primeiro, depois a cochichar uns com os outros. Todos se calaram quando ele começou a encher um grande frasco de vidro com um determinado número de bolas de golfe, até ficar cheio.


Depois perguntou à turma: “O frasco está cheio?” e todos concordaram que sim, o frasco estava cheio, nem mais uma bola de golfe lá caberia.

O professor então pegou num saquinho de seixos pequenos e despejou-o dentro do frasco. Os seixos rebolaram pelos espaços entre as bolas de golfe e assim o professor despejou o saquinho.

Em seguinda perguntou à turma: “O frasco está cheio?” e os alunos, agora mais atentos, responderam que sim, que agora estava cheio.

Sem dizer uma palavra, pegou num saquinho com areia e começou a despejá-la dentro do frasco. À medida que os grãzinhos se infiltravam nos espaços livres deixados pelas bolas de golfe e pelos seixos, alguns alunos começavam a rir-se, divertidos, a ver onde aquilo iria chegar. Não poderia ir muito mais longe, afinal quantas mais coisas se poderiam enfiar naquele frasco de vidro? Quando terminou de despejar toda a areia, o professor perguntou de novo: “O frasco está cheio?” e todos concordaram que, antes realmente não estava, mas agora está, definitivamente cheio.

Então o professor emitiu um sorriso rasgado e retirou duas chávenas de café de debaixo da secretária e começou a despejá-las para dentro do frasco. Os alunos começaram todos a rir, não só da esperteza do professor, mas também da própria ignorância, como se tivessem sido apanhados numa partida. O café escorreu das chávenas até à última gota, preenchendo os espaços deixados livres pela areia.

“Agora”, disse o professor, “gostaria de comparar o frasco com a vossa vida. As bolas de golfe são as coisas mais importantes para vocês: A saúde, a família, o dinheiro, os amigos, as coisas que vos apaixonam. São as coisas que, mesmo que o resto desaparecesse, a vossa vida ainda assim seria completa.

Os seixos são as outras coisas de muita importância nas vossas vidas, como a casa, o carro ou o emprego.

A areia representa tudo o resto. As coisas pequenas, os pequenos caprichos, as preguiças de fim de semana, os passeios, a comida e a bebida, enfim, o que para cada um fôr pouco importante.

Quem entendeu esta lição?”- alguns alunos levantaram a mão e, a um sinal do professor, um deles respondeu:

“Isto significa que, se fizermos primeiro as coisas mais importantes, teremos tempo para fazer tudo o que precisamos.”

“Muito bem”, atalhou o professor, “mas não só isso! O facto é que se colocares primeiro a areia no frasco, os seixos já não caberão. E se colocares primeiro os seixos, as bolas de golfe já não caberão. Ou seja, se gastares a maior parte do teu tempo e da tua energia com a areia, não podes esperar possuir também as bolas de golfe e, aos poucos, a tua vida deixa de fazer sentido. Presta atenção às coisas que são críticas para a tua felicidade e coloca-as à frente de tudo, em tempo e importância. Brinca com os teus filhos, dá um mimo à tua mãe, ou à tua esposa ou esposo conversa com o teu pai e o teu filho pequenino, toma conta de ti, do teu bem.estar e da tua saúde física, mental e financeira.”

Um dos alunos então, levantou a mão e perguntou: “Então e as chávenas de café?”

O professor sorriu “ainda bem que há alguém atento na sala!” e respondeu:

“As chávenas de café são somente para mostrar que, por muito cheia que a tua vida possa parecer... há sempre tempo para um cafezinho e dois dedos de conversa com o teu melhor amigo”.



quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Tens um sonho?

"Obstáculos são as coisas assustadoras que encontra quando desvia os olhos do seu sonho"


Henry Ford





Tens um sonho? Se não tens andas sem direcção. Se tens e te desvias dele, a tua vida é feita de dificuldades e obstáculos. Mas se tens um sonho e vives em consequência com ele, na sua direcção e focado nele, passas pelas pedras do caminho como se fosses a voar.


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A mudança começa pelo ‘eu’




Ela deixou de ser tão pessimista. É uma pessoa mais alegre. Agora consegue sempre ver coisas positivas mesmo em acontecimentos mais tristes". À porta do Pavilhão Atlântico, minutos antes de começar o espectáculo ‘Trata a Vida Por-Tu-Gal’, Miguel explica o que mudou na vida da sua mulher, Sílvia, de 33 anos, desde que esta participou num workshop de Daniel Sá Nogueira, guru português da auto-ajuda. "Trouxe-o ao espectáculo para que ele perceba o que o Daniel faz", explica Sílvia, vendedora de uma imobiliária. De cachecóis de Portugal ao pescoço – um pedido de Daniel ao fãs -, o casal de Caneças entra entusiasmado no Pavilhão. O maior espectáculo de auto-ajuda alguma vez feito em Portugal por um português está prestes a começar.


Já passam 40 minutos da hora marcada quando as luzes do Pavilhão Atlântico desvanecem. Os três ecrãs gigantes do palco dão as instruções em forma de legendas brancas em fundo negro. Pedem-se palmas, assobios e batidelas de pé no chão e os cerca de seis mil espectadores – eram esperados 10 mil – acedem. Está dado o mote para as próximas quatro horas. A ordem é a diversão e todos cumprem.

O ASTRONAUTA

Um vídeo apresenta Daniel Sá Nogueira como o primeiro astronauta português. Vê-se o formador pessoal (mais tarde ele dirá que gostaria de ser tratado como o "futuro prémio Nobel da Paz") a partir para a Lua num foguetão espacial. Quando o vídeo mostra a chegada de Daniel ao satélite natural da Terra, este aparece no Pavilhão de carne e osso. Vestido de astronauta, desce do tecto do Pavilhão Atlântico e aterra no meio da plateia. Ainda não disse uma palavra e o auditório já está em delírio.

Em palco, Daniel fala com a Lua (tem voz feminina e tudo) que lhe dá duas tábuas com dez mandamentos. O resto do espectáculo consiste em que este moderno Moisés explique a todos os presentes esses dez princípios. "Porque para mudar o mundo temos de nos mudar a nós próprios primeiro", explica.

"PORTUGAL É BRUTAL"

Durante o espectáculo Daniel canta, dança, representa, faz de DJ. É seguro dizer que não brilha em nenhuma destas áreas, mas é indesmentível o entusiasmo da plateia. Nos intervalos dos vários números musicais e teatrais, que contam com dezenas de artistas, Daniel fala, grita, exorta a multidão a celebrar, a meditar, a fechar os olhos. Num país sempre pronto a dizer mal de si mesmo, este homem de 33 anos, nascido na África do Sul e que aprendeu português aos 15 anos, diz que "Portugal é brutal". Porque é "lindíssimo", porque "vive em paz", porque somos "hospitaleiros e criativos".

Às vezes parece que estamos num comício político, outras numa missa de campo. Amigos e desconhecidos partilham gritos, cumprimentos efusivos e cantoria, muita cantoria, com um vasto cardápio musical que vai desde Xutos & Pontapés a Michael Jackson, passando, é claro, pelo fado, "que mostra o que há de mais genuíno no sentimento português", diz Daniel Sá Nogueira.

Com o adiantar da hora há quem se canse. No final do espectáculo, quase à meia-noite, cerca de um terço da audiência já tinha saído. "Saímos mais cedo porque temos fome e vamos jantar. Mas gostámos muito do espectáculo, saímos com um espírito muito positivo", conta Rogério, que veio de Alverca com a mulher. Entre a assistência há gente de todo o País, ilhas incluídas, e até se fizeram excursões de autocarro. Empresas como a Remax ou a Herbalife distribuíram por funcionários e colaboradores dezenas de convites, ou não fosse Daniel um formador habitual nas acções que promovem.

"Ele mudou completamente a maneira como eu encaro o meu trabalho e a minha vida", comenta no final do espectáculo Maria de Lurdes, de 44 anos e vendedora da Remax. Já conhecia Daniel de uma acção de formação sobre vendas que este orientou e saiu do Pavilhão Atlântico ainda mais admiradora do seu trabalho: "Ele tem qualquer coisa de especial. Chega ao coração das pessoas".

OBJECTIVO 100 MIL LIVROS

Dois dias depois do espectáculo, Daniel Sá Nogueira diz-se um homem feliz. "Era um sonho e consegui realizá-lo". O guru – "adoro que me chamem assim" – acaba de lançar o seu primeiro livro. ‘Trata a Vida por Tu’ é, mais do que um livro de auto-ajuda, um verdadeiro curso. "Só deve ler o livro quem estiver realmente interessado em fazer qualquer coisa para mudar", diz o autor. Daniel recebeu formações em várias partes do Mundo e começou ele próprio a orientar workshops há mais de dez anos. Especializou-se na área do desenvolvimento pessoal e faz acções para empresas ou grupos particulares.

Usa sempre ténis de cores diferentes "para nunca esquecer que há sempre duas maneiras de reagir a um problema, ou pensamos positivo ou descarregamos a nossa raiva". O livro está em segundo lugar do top de vendas da Fnac. A primeira edição é de 7 mil exemplares, mas Daniel diz que o seu objectivo é chegar aos 100 mil exemplares vendidos. Usa o método ROSA, que inclui quatro conceitos: Realidade (saber onde estou); Objectivos (onde quero ir); Soluções (como lá chegar) e Acção (partir, mudar, fazer por isso).

O autor admite que grande parte do que escreve "são coisas que as pessoas já sabem", mas o que o move é "fazer as pessoas agir". Isto porque, diz Daniel, "os sonhos são importantes mas não chegam. O trabalho é o que faz as coisas andar e quero motivar as pessoas a agir para mudarem as suas vidas".

PROGRAMAR A MENTE

Uma das referências de Daniel Sá Nogueira é Adelino Cunha. Formado em Matemáticas Aplicadas e Informática pela Universidade do Porto, foi professor universitário durante 10 anos. Em 2002 passou a dedicar-se a tempo inteiro à formação pessoal e fundou a empresa I Have The Power (Eu Tenho o Poder, numa tradução literal), sediada em Gaia. Em 2008 foi o responsável pela vinda a Portugal de Bob Proctor, que participou no projecto do livro ‘O Segredo’, de Rhonda Byrne, – um dos livros de auto-ajuda mais vendidos em todo o Mundo. Adelino Cunha e Bob Proctor levaram 7 mil pessoas ao Pavilhão Atlântico para ouvi-los falar de como cada um pode ajudar-se a si próprio a ser mais feliz e mais bem sucedido.

"O meu interesse por esta área começou quando li o livro ‘Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas’ [publicado em 1937 por Dale Carnegie]. Li muito sobre esta área e depois especializei-me em programação neurolinguística (PNL), que é uma ferramenta muito poderosa". A PNL é uma técnica de-senvolvida por dois especialistas americanos como ferramenta de aumento da consciência de si próprio e de motivação. "É possível, por exemplo, curar uma fobia em apenas 15 minutos", diz Adelino.

500 MIL EUROS

Em 2000, Adelino Cunha fundou a sua empresa de formação e passou a dedicar-se a ela a tempo inteiro. Com resultados à vista: "No ano passado facturámos 250 mil euros, este ano temos como objectivo chegar aos 500 mil", conta Adelino, de 47 anos. Com cursos que podem durar entre duas horas e sete dias e preços que vão dos 20€ aos 2400€, Adelino diz que o negócio da I Have The Power "tem crescido muito" nos últimos anos.

Autor de três livros de auto-ajuda, dois dos quais editados por ele próprio, não teme a concorrência. "Como em todas as áreas, há gente séria e gente menos séria, mas, tal como acontece com os grupos de rock, os que ficam são os que têm qualidade e eu não tenho dúvidas acerca da qualidade do que fazemos".

Nas livrarias portuguesas o espaço ocupado pelos livros de auto-ajuda é cada vez maior. José Prata, editor da Lua de Papel, especializada na área, diz que as vendas "têm registado um enorme crescimento, embora esse crescimento seja alavancado por um único título: ‘O Segredo’, de Rhonda Byrne, lançado em Junho de 2007". Com vendas de 450 mil exemplares (foi o mais vendido em 2007 e 2008) é de longe o mais bem sucedido.

"Todos os outros títulos que saíram entretanto, nossos e de editoras concorrentes, andaram no máximo na casa dos 30 mil exemplares", diz José Prata. Se tomarmos em conta que os títulos mais vendidos no ano passado foram ‘Fúria Divina’, de José Rodrigues dos Santos, e ‘O Símbolo Perdido’, de Dan Brown, – venderam cerca de 170 mil cópias cada – percebe-se a importância da auto-ajuda.

PRECONCEITO ESQUECIDO

Joana Neves, da Pergaminho, lembra as reticências iniciais à publicação deste tipo de livros. "Mas o interesse dos leitores sobrepôs-se a estas hesitações e os livros começaram a ganhar cada vez mais destaque. Não há dúvida de que os temas de auto-ajuda se tornaram muito mais mainstream nos últimos anos". Alexandra Solnado, que diz que os seus livros são ditados por Jesus Cristo, é um nome incontornável: "Esta autora já vendeu mais de 200 mil exemplares de toda a sua obra", explica Joana Neves. O crescimento brutal da oferta destes livros fez desacelerar as vendas. Como explica Maria Antónia Vasconcelos, editora da Estrela Polar: "Os leitores tornaram-se mais exigentes, o que fez com que as vendas tenham estagnado um pouco nos últimos anos".

A editora destaca ‘Pegadas na Areia’, de Margaret Fishback, como o livro mais bem sucedido do seu catálogo e reconhece as dificuldades de escolha entre as centenas de títulos disponíveis: "Os bons autores não são necessariamente os que mais vendem. Devem ter sólida formação académica, clareza de linguagem, capacidade de ajudar os leitores, com métodos realistas e simples, a corrigir os maus hábitos ou padrões de comportamento e motivá-los a procurar ajuda clínica para problemas mais sérios".

Este último aspecto é o que mais preocupa o psicólogo Luís Reto, professor no ISCTE. "Na nossa sociedade a maior parte das pessoas está sozinha, e estes livros podem ser uma ajuda. Mas podem criar-se falsas esperanças e acreditar que tudo se pode resolver por se pensar positivo", diz o psicólogo, que alerta também para a falta de rigor científico de muitos destes livros. "Grande parte deles são feitos só para vender e não ajudam grande coisa". Também o psicanalista Coimbra de Matos é céptico em relação aos livros de auto-ajuda. "Os leitores podem convencer--se de que resolvem todos os problemas e desistirem de procurar uma ajuda clínica que seria indispensável". Mas admite que "há livros que podem ser interessantes", até porque já escreveu prefácios para alguns títulos da editora Climepsi.

O psicólogo Vasco Gaspar, de 31 anos, largou um emprego estável numa empresa de formação em 2009. Quer fazer da formação pessoal a sua principal actividade e criou um manual, a que chamou ‘Zorbhudda’. "É uma ideia de Osho – outro autor de culto neste meio – que explica que a vida deve ser vivida com a intensidade de ‘Zorba, o Grego’, mas também com a sabedoria de Budhha", explica. O livro, disponível gratuitamente na internet, "é uma espécie de diário, em que a pessoa regista o que lhe aconteceu de diferente e se esforça por ter ideias positivas".

REUNIR CONHECIMENTOS

Vasco Gaspar usa conhecimentos "não só da psicologia mas também das diversas leituras que fiz em várias áreas". Admite que não tem "qualquer fórmula mágica" para resolver os problemas, mas aponta uma falha comum: "É raro as pessoas pararem para pensar na sua vida, naquilo que fizeram e gostariam de fazer. O que proponho é um método que as ajuda a fazer uma auto-reflexão".

Esse é também um dos objectivos de Pedro Queiroga Carrilho, autor de ‘O Seu Primeiro Milhão’ – que já vendeu 20 mil cópias – e de outros dois livros sobre finanças pessoais. Pioneiro na escrita sobre aconselhamento financeiro para particulares e famílias em Portugal, este engenheiro informático de 27 anos explica que "há uma grande falta de cultura económica entre os portugueses". Fundou a empresa Kash, que dá cursos de formação que ensinam as pessoas a poupar, a controlar as despesas pessoais e a investir. "Em Portugal as pessoas têm um rendimento reduzido para o custo de vida que temos. Uma das ideias que transmito é diversificar as fontes de rendimento. E isto não quer dizer que tenham de trabalhar mais, mas devem procurar outras formas de ganhar dinheiro, incluindo o investimento".

Pedro Carrilho conta que ao princípio estranhou a designação de auto-ajuda para os seus livros, mas hoje assume-a sem complexos: "Escrevo para ajudar as pessoas a melhorar a sua vida e isso passa muito pela motivação".

Fonte: CM Jornal



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