sexta-feira, 27 de agosto de 2010

És livre, escolhe

"És livre, escolhe, ou seja: inventa."



Jean Paul Sartre





Escolher e inventar não são, todavia, sinónimos. Se tens várias opções podes escolher uma ou outra ou várias. Podes até escolher não escolher nenhuma. O importante é que aderes ou não a algo que está fora de ti, apresentado por outras pessoas ou pelas circunstâncias.


É óptimo ter escolhas e isso dá-nos realmente a sensação de que somos livres. Penso que não falharei muito se disser que a maior parte das pessoas fica satisfeita se tiver opções. No meu trabalho de design gráfico tenho por hábito apresentar uma só proposta ao meu cliente. Muitas vezes essa proposta é mesmo a única que fiz, outras vezes faço várias, mas apresento sempre uma somente. Os clientes não gostam disso porque preferem ter pelo menos duas. Dá-lhes a sensação que eles estão no comando o facto de poderem escolher uma e descartar a outra. Se tiver somente uma opção sentem que, se a aprovarem, estão a ser guiados por mim e que isso de algum modo lhes retira liberdade.


Somos todos assim. Se não temos alternativas ficamos nervosos. Precisamos de 2 ou 3 preços para o mesmo produto, e, se for preciso, vamos a três lojas diferentes. Primeiro dia no emprego, precisamos que nos digam o que fazer e como, passo a passo, mas queremos escolher alguma coisa: ou o que fazer primeiro, ou quando iniciar, ou a velocidade a que o fazemos, ou outra coisa qualquer. Essa é a nossa ilusão de liberdade e autonomia. Uma jaula de barras invisíveis.


Podes funcionar assim, isso é normal e "normal" é bom. Podes também agir sobre as oportunidades e ultrapassá-las, mungir a vaca até ela secar, levar uma alternativa até às últimas consequências. E isso é liberdade. Aprecias, escolhes, ages e levas até ao limite e mais além. Estás a realizar o teu potencial, a tirar de dentro de ti tudo o que precisas. Vais tornar concreto o valor que tens transformando-o em acções. Vais "Realizar-te" nas coisas, tornar-te "real".


Quem faz isto, realmente está a mostrar que os limites podem ser esticados, que a jaula é tão grande que não faz realmente diferença se tem barras visíveis ou invisíveis ou não tem barras nenhumas. Por isso quem inventa alternativas onde elas não existem e novos limites para todos os desafios é uma pessoa verdadeiramente livre.


Vamos dar um pouco de prática a esta teoria. Um exemplo: Tens um chefe prepotente que precisa de afirmar o poder que tem humilhando os empregados. A ti, por exemplo. Ele grita contigo para fazeres algo que tu já irias fazer de qualquer maneira. Fulminas o homem com os olhos "quem é que ele pensa que é". És colocado diante da opção "fazer ou não fazer". A hipótese "não fazer" é afastada rapidamente quando pensas na prestação da casa. Só te resta cumprir. Contudo vais arranjar uma forma de executar a tarefa o mais possível ao teu jeito, mesmo que saibas que isso poderá não agradar. Estás limitado pela figura do teu chefe. Ele está a interferir na tua performance pelo simples facto de estar presente na tua cabeça e nas tuas emoções.


Podes todavia não aceitar jogar esse jogo. Tu sabes os que tens de fazer e fazes, superando-te a ti mesmo, colocando o teu melhor talento e esforço em cada pequeno detalhe. O chefe? Queres lá saber do chefe! Ele não tem qualquer poder sobre ti enquanto fazes 3 vezes melhor do que seria esperado.


Esticaste o teu limite e o limite de todos. Provaste muitas coisas a ti mesmo e a todos os outros, mas a principal foi que ninguém é teu superior que és livre de fazer o teu melhor.


Um aparte, mas a propósito: Um dia Buda e os seus discípulos estavam de passagem por uma aldeia e uns camponeses começaram a insultá-lo. Ele andava sempre sorridente e assim continuou o seu caminho enquanto os seus discípulos o seguiam resmungando. Depois de saírem da aldeia um dos discípulos perguntou-lhe: "- Mestre, como podes continuar a sorrir depois de teres sido insultado com tanta violência? Não ouviste os insultos que as pessoas proferiram contra ti?" - Buda respondeu: "- Se alguém vier com um bolo para te dar de presente e tu não o aceitares, a quem pertence o bolo?" o discípulo respondeu: "-Àquele que trouxe o bolo". Então Buda concluiu: "- Se não aceitares no teu coração a maldade dos outros, ela fica com quem a tem e não tem poder sobre ti".

Há sempre uma estrada positiva, uma alternativa entusiasmante. Se aparentemente não houver... inventa-a.




quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Liderar para a liberdade

"Um bom mestre tem sempre esta preocupação: ensinar o aluno a desenvencilhar-se sozinho."


André Gide




Liderar para a liberdade, educar para a autonomia. Podes ajudar alguém em situação difícil, mas assegura-te de que estás a ensinar essa pessoa a ser autónoma e livre. Lembras-te do velho ditado oriental "se deres um peixe a alguém dás-lhe de comer para um dia, se o ensinares a pescar alimenta-lo para toda a vida"?


Por outro lado, podes pedir ajuda e ser ajudado. É muito corajoso da tua parte aceitares a ajuda de outra pessoa. Certifica-te contudo de que essa ajuda é canalizada para não precisares de pedir ajuda de novo, para poderes ter, tu mesmo, condições de ajudar outros a serem autónomos, por sua vez.


Não te substituas ao teu filho na resolução de um problema nem expliques com todo o detalhe ao teu subordinado o que fazer. Assegura-te da segurança e da efectividade mas dá o máximo de liberdade e de responsabilidade. Faz o mesmo contigo: não aceites que outros façam o que é suposto seres tu a fazer ou que te substituam numa missão. É a tua e de mais ninguém. Torna-te pró-activo e toma o controlo da tua própria vida. Depois ensina a outros esse mesmo caminho.


A Liberdade Individual não pode ser dada, tem de ser conquistada. Não te prives a ti nem prives ninguém desta conquista, que é, penso eu, a maior de todas as que podemos conseguir enquanto estamos nesta Terra.




Quem sabe fazer, faz; quem não sabe fazer, ensina

"Quando as acções falam, os olhos ouvem."






A informação é útil, importante, vital. Muitas pessoas perdem negócios por falta de informação, tomam decisões erradas, têm vidas arruinadas por falta de informação. E vivemos na era da informação, nada é tão valorizado nem tão apreciado. Quem tem muita é elogiado e quem tem pouca é desprezado.


Mas já pensaste que, se a informação fosse a resposta para os problemas do alcoólico, bastaria entregar-lhe um cd com vídeos, ebooks e audios acerca do álcool, dos seus efeitos e acerca do que fazer para deixar de beber e essa pessoa ficaria curada instantaneamente.


Ou então um pobre. Nós colocamo-lo numa sala de aula e explicamos tudo acerca da economia e finanças e ele sai de lá rico. O mesmo com um drogado, um desempregado, um doente ou alguém que simplesmente quer melhorar de vida.


Mas felizmente a informação resolve muito pouco. Depois de leres 100 livros acerca de montanhismo não ficaste no topo da montanha. Depois de aprenderes de cor os malefícios do tabaco, ou os benefícios de não fumar, ainda assim fumas, depois de saberes tudo acerca de nutrição, ainda assim cometes erros alimentares, depois de saberes o que fazer, passo a passo para atingires o teu objectivo, ainda assim não executas os passos.


É que saber qual é o caminho não te leva lá. Contudo quem sabe já pode ensinar. Costuma dizer-se que "quem sabe fazer, faz; quem não sabe fazer, ensina". De facto, muitos mestres ensinam a percorrer caminhos que eles próprios não percorreram, o que faz deles pobres mestres, dos seus discípulos pobres discípulos e do caminho uma incógnita. Procura os teus mestres em quem tem os resultados que tu pretendes e serve tu de exemplo.


Se forem as tuas acções a fazer o discurso, eu te garanto que não há ouvidos que não ouçam e olhos que não vejam. Mas não te guies por aquilo que eu digo, tenta é perceber aquilo que eu faço e tira daí as tuas conclusões.




quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O teu futuro é o que tu és

"O que fazemos durante as horas de trabalho, determina o que temos. O que fazemos durante as horas de lazer determina a pessoa que somos."



George Eastman




Por outras palavras, o que fazemos determina tanto o que temos como o que somos. O que nos determina não é o que sonhamos, nem o que queremos, nem o que desejamos. É o que fazemos.


A acção tem uma função plástica. Modela-nos por dentro e por fora. Imagina que no futuro há muitas portas fechadas. Em cada uma está recortada uma silhueta. Quando chegas lá, não penses que tens liberdade de escolher a porta por onde queres entrar. Não, não podes escolher. Tens de passar pela porta correspondente com a tua silhueta. "Ai", dizes tu, "mas isso não é justo! Assim nem todos entram num futuro feliz e próspero, cada um tem a sua silhueta recortada numa porta e não há nada que possa fazer para mudar isso. É o destino! Coitadinho de mim."


Enganas-te. Realmente não podes adaptar uma silhueta recortada. Ela está lá desde o início dos tempos. O que podes fazer é executar acções continuadas, por forma a moldares-te tu, conforme o que tu ambicionas. Quando chegares à porta, verás que a que se adapta a ti te dá as boas vindas ao futuro.


O que te espera, nesse futuro lá à frente, não é o que tu desejas, mas sim o que tu és.



terça-feira, 24 de agosto de 2010

Líderes do presente

"Quem sabe faz a hora, não espera acontecer."


Geraldo Vandré




Há dois tipos de pessoas: aquelas a quem acontecem coisas e aquelas que fazem as coisas acontecer.



No primeiro grupo encontras aqueles que não se mexem. Queixam-se da situação em que se encontram mas não fazem nada para mudar. Não vou perder o meu tempo nem o teu discutindo este assunto. Mas vale a pena pensar num subgrupo que até inicia a mudança mas que desiste às primeiras dificuldades.


Aqui estão aquelas pessoas boas que gostariam de mudar de vida, e até acabam por aceitar fazer alguma coisa, mas estão focados naquilo que lhes falta. São como um alpinista a subir uma parede de rocha. Lá em cima há muitas pessoas, lá em baixo ainda há mais. A pessoa desse primeiro grupo, depois de se ter convencido a empreender a subida, agarra-se à parede de rocha e começa a subir.


Contudo provavelmente não irá chegar ao topo e explico porquê: porque não é possível subir uma parece de rocha olhando para cima. Se pensares somente nas pessoas que lá estão e no quanto elas são melhores que tu, no quanto elas conseguiram subir e no quanto te falta ainda, não irás conseguir arranjar nem motivação, nem auto-estima, nem força de braços para te manteres na subida. Um dia, e será mais cedo do que mais tarde, vais deixar-te escorregar pela corda abaixo e voltar para o lugar que pensas ser o teu: na base, na tua zona de conforto, lamentando a tua falta de qualidades e de oportunidade.


Se queres chegar ao topo tens de te tornar uma pessoa que faz as coisas acontecerem. E olha que isto é muito fácil se usares uma estratégia simples: olhas lá para cima, cerras os dentes e os punhos em torno da corda e começas a subir. Agora vem o segredo: enquanto sobes não podes olhar para cima. Não. Olhas onde pões os pés, as mãos, verificas a segurança dos freios, dos mosquetões e da corda, empoeiras as mãos no magnésio e pensas na próxima saliência onde te agarrar.


Depois, de vez em quando, olhas para lá para o topo e verificas que já te aproximaste um pouco. Depois olhas para baixo e verificas que já subiste um bom pedaço. Em seguida esqueces quem está em cima e quem está em baixo e concentras-te de novo no percurso, na acção actual e imediata.

A auto-estima não é sequer um assunto na tua mente, os que estão lá em cima e os que estão em baixo não ocupam mais que um segundo dos teus pensamentos. O teu foco está no "agora", no próximo passo. Este próximo passo pode ser mais simples ou mais complicado, mas é somente esse que tens de dar.


Este próximo passo é a tua próxima competência a desenvolver, uma técnica a dominar, algo a aprender, a praticar. Seja o que for. É nisso que tens de estar 100% focado.


Agora pensa na grande diferença que existe entre os resultados conseguidos pelos que fazem as coisas acontecerem (a eles chamam "líderes") e os resultados daqueles a quem acontecem coisas. Já viste a graaaaande diferença?


Realmente não há nenhuma grande diferença. Existe sim uma diferença pequena:


- Um fracassado está mentalmente no chão, nunca de lá saiu. Compara-se com os bem-sucedidos somente para verificar o quanto diferente deles é. Enquanto vai subindo está a pensar que "eu já deveria estar ali", "isto é lento demais", "o que é que os outros estão a pensar de mim?", "por este andar nunca mais lá chego", "eu não sou bom o suficiente", "olha aquele que começou há muito menos tempo que eu, onde ele já vai!", etc.


Por outro lado:


- Um bem-sucedido está mentalmente no momento presente. Não se compara com ninguém, nem se julga a si mesmo. Simplesmente faz o que tem de ser feito agora mesmo. De vez em quando olha para o objectivo e afina a direcção, mas não fica a pensar mais no assunto. Não se recrimina nem se impacienta, não se acha nem melhor nem pior que ninguém e não se compara com os outros. Encara cada tarefa como um desafio e executa-a com entusiasmo.


Se quiseres podes avaliar um pouco a tua atitude. Dizes com frequência: "olha bem o que me aconteceu", ou "isso é bom é para os outros"? Ou quantas vezes dizes a palavra "demasiado" ou "demais" como em "é tarde demais", "sou velho demais", ou "sou demasiado burro"?


Na minha opinião, se o pensas é porque o és, mas o mais giro é que no momento em que deixares de o pensar deixas de o ser. Fantástico hein?

Economia cósmica

"Extrai a tua vida da tua imaginação e não da tua história."




Stephen Covey





Eu ouvi dizer, há muito tempo, que "o que a tua mente pode conceber, também pode alcançar" (W. Clement Stone) e, para ser muito sincero contigo, pareceu-me uma treta. Estudei visualização criativa e meditação, mas sempre entendi que o que se passa na mente, pertence à mente e o que se passa no mundo pertence ao mundo. Ainda aceitava que a mente tivesse influência sobre o próprio corpo, mas como o meu corpo está fisicamente separado do mundo, a minha mente não poderia ter qualquer poder para concretizar algo no mundo fora de mim.


Hoje penso de forma diferente e chamo a esta capacidade de criação a "manifestação". Desejar algo, criar as condições mentais certas, usando também a imaginação, e iniciar um processo de laboração interior que irá manifestar aquilo que pretendes. Isto é real. É assim que funciona. Mas antes que comeces a por esta ideia de lado, pensando que tenha algo a ver com "magia" ou com o "sobrenatural" deixa que te diga o seguinte: Presta atenção ao que eu escrevi atrás. Eu disse: "laboração interior" e "manifestação". E estas duas expressões funcionam em sinergia e encerram um segredo.


Tu vais transformar-te interiormente. Este trabalho pessoal que alguns autores chamam "sintonização" é o que te permitirá manifestar o resultado. E consegues esta transformação através da visualização criativa, usando a tua imaginação para criar aquilo que pretendes, e através da intenção deliberada: a acção iniciada pela intuição e levada a cabo com a razão. Este é o trabalho de laboração interior, que te vai fazendo crescer até teres o tamanho do teu sonho.


O segredo da "manifestação" é que tu vais ver acontecer algo que sempre lá esteve, mas que tu não vias porque não estavas preparado. Se tu souberes que o que tu pretendes já lá está à tua espera, poderás sentir-te grato hoje, mesmo que neste momento ainda não estejas preparado para a tua manifestação e por isso ainda não vejas as coisas a acontecerem. E estar agradecido significa ser generoso.


Imagina que queres um carro novo, ou um namorado, ou 10 mil euros no banco. Agradece de coração teres esses bens ao teu alcance e retribui com a generosidade equivalente à tua gratidão. Vais ver que começas a distribuir bens, conhecimento, ideias, dinheiro pelas pessoas que precisam dessas tuas coisas. E isso vai por os motores em marcha dentro de ti, alimentando o processo de laboração interior que te irá levar à manifestação das coisas que tu queres.


Não é tão interessante a forma como esta economia funciona? Não sei se me fiz entender. Espero que sim, porque não é assim tão complicado. É mais difícil de descrever do que de fazer.


Agora pensa nas pessoas que querem ter uma vida melhor e seguram o dinheiro, não ajudam ninguém, não repartem as coisas boas que têm. Estão preocupadas porque no passado tiveram dificuldades, ou estão agora mesmo a passar por elas. Nunca terão essa vida melhor que tanto ambicionam, porque nesta "economia cósmica", a abundância flui para quem a faz fluir e retrai-se para quem a faz retrair. Por isso é a tua imaginação que criará um bom futuro para ti e não a tua história.


Deves estar a pensar que isto é um bocado místico, mas digo-te: é assim mesmo. Não precisas acreditar para isto funcionar. Só tens de fazer. Depois de veres o que acontece, passarás a acreditar muito rapidamente... desconfio eu.
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